sábado, 19 de novembro de 2016

Irresistível - M. S. Fayes

Livro: Irresistível
Autora: M. S. Fayes
Editora: Independente
Casal: Fay e Alex

Sinopse: Poderia haver algo que freasse a impetuosa Fay Williams? Aparentemente apenas um homem com pulso firme poderia domar aquele furacão em forma de mulher. Quando Fay e Alex se encontram pela primeira vez, faíscas voam para todos os lados, deixando marcas em ambos. Eles nunca poderiam esperar que suas carreiras acabariam se encontrando tão próximas.
Ao invés de aliados, eles se viram oponentes na batalha travada entre seus desejos e seus corações. O único que podiam atestar afinal era que, o amor é simplesmente irresistível em toda a sua essência.


Impressão do Leitor

            Bom quero dizer inicialmente que essa resenha terá uma tônica diferente das que costumo fazer. Deixa eu explicar melhor... Em geral, apesar de descrever os dois personagens principais que formam o casal da trama, o foco acaba, invariavelmente sendo no mocinho, por motivos óbvios! Nesse caso, será um pouco diferente! Enquanto em Absoluto (primeiro livro da Trilogia da Lei) Gabe ganhou meus olhos, meus ouvidos, meu coração, minha alma... Controle-se, mulher!! Em Irresistível foi a desinibida, impetuosa e cheia de sagacidade Fay que me conquistou!
            A M.S. Fayes nos traz uma personagem marcada por um passado doloroso, sendo obrigada desde muito cedo, a abdicar de toda uma vida, seguindo por um caminho tortuoso, compelida a enfrentar separações e situações aversivas. Na minha opinião isso a marcou e construiu um repertório comportamental, que, embora pareça contraditório, dotou-a de uma força sobrenatural, mas ao mesmo tempo, de uma fragilidade marcante. Força por tudo que passou, sozinha, em segredo, aprendendo a lidar com as adversidades (às vezes extremamente exposta às contingências), contundo, em contrapartida, isso também a fragilizou! Considero que Fay, na verdade, usava essa força como forma de mascarar, esconder seu lado frágil e suscetível, através de seu jeito impetuoso, despojado e sem amarras.
            Era uma jovem extremamente sagaz, determinada, inteligente, sarcástica, que tinha um lado cômico muito aflorado. Adorava sentir-se livre, inclusive das convenções sociais. No que se refere ao amor, Fay não se negava a entregar-se sexualmente a alguém que a interessasse, porém, seu coração permanecia blindado. Avalio que isso se deve ao medo de que, por qualquer motivo, precisasse ser obrigada a abdicar de um grande amor e sumir, o que seria intensamente sofrido para uma pessoa que já havia passado por perdas forçadas.

“Eu tive que deixar de ser quem eu era ali. Tive que abandonar uma vida inteira” (Fay)
            A ideia que tenho é que essa mulher é uma pessoa altruísta, pois, além de proteger-se de novas perdas, ela considera que diante de sua vida um tanto conturbada no passado, evitar apaixonar-se por alguém, é, acima de tudo, proteger o outro de alguém com tantas questões em suspenso. Ledo engano...
            E, em função desse lado impetuoso, Fay depara-se com Alex, um homem dotado de uma beleza selvagem e de extrema determinação. Um encontro carregado de extrema eletricidade, tão palpável, que senti o choque transcender o livro (abana aqui, por favor!). Um jogo de sedução tão bem descrito, que poderíamos nos sentir parte integrante da história e Fay pôde experenciar algo tão intenso que sentiu-se como se já conhecesse Alex há anos, e não apenas há uma noite. Não posso denominar de outra maneira, a conexão foi instantânea, o desejo foi arrebatador.
            Mesmo que o primeiro encontro tenha sido carnal, já ficou claro que um era diferente para outro, em relação ao que estavam acostumados. Descobriram-se fazendo coisas que não costumavam em encontros casuais... Mal sabiam os dois o que estava por vir.
            Fay encantou-se por Alex logo no primeiro momento (eu também, só para deixar registrado!), o que a assustou e deixou-a confusa, já que era uma pessoa prática e livre de acessos românticos. Ao mesmo tempo que queria sair correndo e deixar aquele momento para trás, ela era acometida pelo sentimento intenso de perda ao deixar esse IRRESISTÍVEL exemplar masculino para trás.
            Após esse encontro com Alex, e de sua fuga repentina, Fay passou a ser invadida pelas lembranças de sua avó, trazendo sua origem Irlandesa à tona, uma aura mística e mágica, com ensinamentos que ela sempre preteriu. Seus caminhos nunca mais haviam se cruzado, e, após um acontecimento marcante no centro comunitário onde era voluntária, Alex volta a sua vida de uma maneira inesperada, coisa do destino? Será que a vovó Li tinha razão? Esses acontecimentos acabaram também, por trazer fantasmas do passado.
            E o destino prega peças, eis que este reencontro acaba por acontecer em uma situação tão formal, com exigências éticas e profissionais. Ele enquanto chefe da promotoria e ela, uma assistente, a ele subordinada. Mesmo assim, diante dessa conjuntura, Fay comportou-se como Fay!
            Esse reencontro inesperado, mostrou que Alex era tentadoramente possessivo em relação a Fay, mesmo após uma noite apenas. Ela se tornou uma ideia fixa; uma necessidade imensa de tê-la e conhece-la melhor, tomou conta dele de forma arrebatadora e irremediável.   Em contrapartida, Alex fazia com que as emoções de Fay ficassem a flor da pele, quase de uma maneira descontrolada, tão diferente do que ela estava acostumada, tirando-a de sua zona de conforto.

“Cheguei a ficar altamente super aquecida com toda essa sua cena machista... Porém, não sou um objeto a ser possuído, ou ser disputados numa briga de garotos, entendeu? Apenas confie em mim” (Fay).

            Da mesma forma que eu avaliei no livro anterior que Kate era Gabe de saias. Aqui me parece que Alex era Fay de calças... Eram a tampa e a panela... Ele sabia ler o comportamento de Fay, antecipar possíveis comportamentos de fuga, compreender alguns rompantes, que foi se tornando cada vez mais difícil Fay resistir aos seus encantos.
            Entre rompantes de paixão e tentativas de compreender o poder que a presença de um tinha nas emoções do outro, esse casal foi construindo uma história magnética, que me tirava o fôlego inúmeras vezes tamanha a intensidade e impetuosidade deles. Apesar dessa característica pessoal e como casal ser tão marcante, eles tinham um quê de docilidade, embora ambos não soubessem como portar-se diante de um sentimento tão grande que foi-se construindo.

“É mais fácil confiar quando as pessoas se colocam disponíveis. Você é tão fechada, às vezes. Não brinque com fogo, ruiva. Você pode acabar saindo mais chamuscada do que gostaria...” (Alex).

            A independência de Fay, assim como seu comportamento mais intempestivo, deixava Alex sem saber como comporta-se e despertava nele seus instintos mais primitivos, necessidade que nunca precisou lidar antes. O atrevimento e espontaneidade de Fay o tirava do sério, mas ao mesmo tempo, era o que mais o envolvia, e foi assim que se deu conta que estava irremediavelmente apaixonado por ela.

 “Okay. Traga gasolina da próxima vez, você vai perceber que sou forjada no fogo, Viking.” (Fay).
             
Alex também tinha um passado do qual não queria lembrar, que mantinha guardado a sete chaves, assim como Fay. Os passados de ambos os transformaram nas pessoas que são hoje. Ambos ainda têm resquícios de uma época sublimada na forma que se comportam, mesmo que tentem esconder, de alguma maneira, o passado os conduz. As verdades ocultas, escondidas e sublimadas, começam a ser reveladas e ao mesmo tempo que trazem sofrimento, vem acompanhada da redenção e da possibilidade de entregarem-se, livres, para o sentimento que se estabeleceu com toda a força no coração de ambos. Contudo essa redenção não vem de maneira fácil!
Fay amedrontou-se, recuou e se fechou ainda mais quando percebeu claramente seus sentimentos e os de Alex. O medo que ela tinha do seu passado, o medo de ser feliz, o medo do futuro, não permitiu em um primeiro momento, que ela vivesse a plenitude de seu amor, negando o que Alex sentia e afastando-se dessa história que lhe fazia tão bem.

Eu vou esperar. Não estou cobrando. Não estou cobrando que você me ame de volta ou a historia do seu passado que você deixa trancada dentro de si. Só cansei de ter que segurar as emoções que você me provoca simplesmente por medo de você fugir.” (Alex)

Mas não dizem que o sofrimento engradece? Pois bem... Ambos descobriram de uma forma mais difícil, como o amor suplanta qualquer medo ou adversidade. Mesmo que a duras penas, o reconhecimento e amadurecimento do amor pleno que sentiam um pelo outro fez com que destruíssem as barreiras erguidas ao longo da vida em seus corações e suas almas, promovendo uma linda comunhão de um homem e uma mulher, cheios de marcas, feridas cicatrizadas, mas que, acima e apesar de tudo, eram capazes de viver um amor único e inspirador.
Mais uma vez posso afirmar convictamente o quanto a escrita da M.S. Fayes nos envolve intensamente na trama, a tal ponto, que vivenciamos os sentimentos de cada personagem de forma tão realista. Ela consegue, em Irresistível, provocar emoções diversas: sentimos medo, alegria, raiva, mas sobretudo, sentimos o amor intenso e impetuoso que os personagens têm um pelo outro que nos sentimos como parte deste enredo único, intrigante, instigante, apaixonante e IRRESISTÍVEL.


“Eu nunca me permiti amar ninguém de verdade, Alex. Nunca. Até conhecer você. Eu te amo, Alex. Só a você” (Fay)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Absoluto - M. S. Fayes - Editora Charme

Livro: Absoluto
Autora: M. S. Fayes
Editora: Charme
Casal: Kate e Gabe

Sinopse: Ela era um fenômeno, como estudante de direito.
Ele era o advogado mais temido do estado.
Prestes a se formar com honras, Kate se viu imersa no mundo do Direito civil, antes mesmo de estar com seu diploma em mãos. Conhecendo o trabalho do Dr. Gabe Szaloki, ela foi pega, inesperadamente, em uma onda avassaladora de atração, mas ainda assim relutou a se permitir viver esse tórrido romance. Porém, Gabe não era imbatível apenas nos tribunais. Ele queria Kate a qualquer custo e mostraria a ela porque ele sempre saía vitorioso em seus casos.
Em meio a casos jurídicos, os dois se enfrentam em um duelo de palavras, que serve apenas para acender a chama incandescente que Gabe sente por Kate. Kate se vê seduzida pouco a pouco pelo poderoso advogado, entregando seu coração de maneira despretensiosa.
Maquinações invejosas, um conflito e um mal entendido fazem com que os dois se afastem. E quando a verdade vem à tona, Gabe tem que provar que seu amor por Kate é simplesmente absoluto.

Impressão do Leitor

“Eu não quero escapar de você e digo sim a nós. Por favor, me perdoe e me dê mais uma chance. ” (Gabe).

Primeiramente, M. S. Fayes, muito, mas muito obrigada por esse livro mais que incrível. Não podia começar de outra maneira a não ser agradecendo essa autora, que já havia me conquistado pelos contos da série Amores Olímpicos (sei que foram lançados depois, mas ainda não havia lido nada dela antes, uma pena!). Mas o que dizer de Absoluto, de Kate e Gabe...  Sem palavras, não consigo concatenar minhas ideias de uma maneira organizada, diante do turbilhão de emoções que foi ler esse livro. MARCANTE, não posso dizer outra coisa...
A autora imprime um toque especial ao livro, que é extremamente bem escrito, com toques de romance, de mistério, de artimanhas ardilosas, de sensualidade, de muito, mas muito desejo e um grande amor se construindo, se fortalecendo, nos encantando e conquistando... A trama tem tudo e mais um pouco para nos prender na leitura e nos fazer devorar o livro e ficar com gostinho de quero mais. A escrita impressiona pela clareza incrível, com uso de uma linguagem não muito coloquial, mesmo que algumas cenas exijam diálogos ou pensamentos com a utilização de expressões cotidianas.
O livro retrata a história de um casal bombástico, encantador, sedutor, forte e muito, mas muito quente. O primeiro encontro dos dois produz faíscas que são uma amostra do que que iriamos encontrar ao longo da trama. Kate e Gabe são um casal que nos desorienta, que nos faz desconstruir paradigmas sobre o ideal de romance. Eles nos mostram que não existe um modelo de relacionamento perfeito, mas sim, um HOMEM perfeito para uma MULHER, com todos seus defeitos, particularidades e qualidades.
Kate é uma jovem extremamente determinada, convicta de seus ideais, que não se permite influenciar por nada; muito sensata e perspicaz, além de brilhante nos estudos e na sua profissão. É uma mulher que corre atrás de tudo que deseja, mas ao mesmo tempo é muito altruísta! Embora mantenha um perfil ético, não mede muitos esforços para alcançar aquilo que deseja, mesmo com toda sua docilidade e espírito conciliador. Além de incrivelmente inteligente, é absurda e absolutamente linda.
Gabe, um renomado e bem-sucedido exemplar masculino, vem carregado de confiança profissional e autoconfiança (às vezes até em excesso). É um homem que exala uma beleza única e uma aura de sedução, poder, imponência e às vezes, prepotência (parte disso é componente do personagem que representa), assim como uma capacidade de persuasão em várias áreas de sua vida tamanha sua eloquência. Um homem que pode ser até intimidador, diante de tamanha sagacidade, inteligência e grandiosidade. Se envolve tão fortemente no trabalho e sempre protege seu coração com tamanha força, que se fecha para relações amorosas.
Sabe aquele homem que apenas com sua presença em um espaço é suficiente para emanar uma energia capaz de confundir os sentidos e atrair a atenção de todos e que ao mesmo tempo provoca uma crise coletiva de desatenção (especialmente nas mulheres)? No mundo literário esse exemplar existe de forma dadivosa: Dr. Gabe ABSOLUTO Szaloki!
Enfim, conhecem a teoria dos opostos que se atraem? Aqui, na minha opinião, não se confirma, já que Kate é Gabe de saias (guardada as devidas proporções, é claro). Padrões de comportamentos tão semelhantes, poderiam se repelir, mas nesse caso, acabam se atraindo; a força que esse imã de polos iguais fazia para se afugentar, encontrou uma força maior, quiçá o destino, que exercia uma força oposta, atraindo e fazendo-os convergir para uma relação explosiva e ao mesmo tempo encantadora e intensa.
Kate foi capaz de abalar a imponência de Gabe, de provocar nele comportamentos que nunca ninguém havia conseguido, como tirá-lo do foco, fazendo-o divagar, transformando o seu centro. Parece que Gabe passou a crer em destino a partir do momento que conheceu Kate...

“Nomes a parte, parece que desde que nos conhecemos estamos destinados a sermos pegos de surpresa um pelo outro...” (Gabe).

Cada encontro era incrivelmente dotado de sentimentos ambíguos, quase uma relação de amor e ódio; desejo e raiva andando juntos de tal maneira, que se confundiam. Seja no enfrentamento profissional ou pessoal, as faíscas anunciavam a intensidade do desejo que consumia a ambos. E não tem muito como resistir ao todo poderoso e absoluto Gabe, tamanha sua determinação quando deseja algo.

“Não adianta me manter omisso ou negar a ideia de querer você, estou preso a isso. A ideia de ter você, simplesmente não saiu da minha cabeça durante a semana toda”. (Gabe)

Por mais que ambos tentassem resistir, especialmente Kate por temer o que Gabe despertava nela, o desejo e a sintonia que os atraia foi mais forte. O entrosamento entre ambos era tão natural que assustava, o que aumentava a pseudo resistência de Kate.

“Você me assusta e me assusto comigo mesma ao perceber a maneira como me comporto em sua presença”. (Kate)

A partir do momento que se permitiram experimentar esse desejo, começaram a conhecer lados do outro que nunca sequer imaginaram. Kate pôde perceber que, apesar de toda virilidade e imponência de Gabe, ele tinha um lado gentil, o que provocou um imediato encantamento. A conexão e intensidade quase palpável entre eles, foi inicialmente estabelecida quando faziam amor, mas a cada momento, gravava a ferro e fogo o nome e Gabe no corpo, no coração e na alma de Kate. Com Kate, Gabe tinha vontade de mais, quebrou protocolos que ele mesmo estabeleceu.
Mas claro que essa recém adquirida (e forte) conexão passaria por fortes provações... O destino fez essa brincadeira com esse casal! Lembram quando mencionei que haviam artimanhas ardilosas? Pois bem, elas foram responsáveis por uma série de eventos nada agradáveis ao casal, testando a força desse amor. Contudo, na minha opinião, esse foi o momento em que esse amor se fortaleceu verdadeiramente.
E o que dizer sobre o fim do livro? Gabe se supera muito nesse momento, ganhando e solidificando seu nome no meu coração. A abdicação e a demonstração do amor que sente por Kate foi tamanha, que ao mesmo tempo que eu ria aquele sorriso bobo, lágrimas insistiam em se derramar pelo meu rosto. Lindo e totalmente Gabe! Foi uma das cenas mais românticas que já vi ou já li e, vinda de Gabe, fez tudo parecer ainda maior e melhor.

“Eu a amo, pura e simplesmente assim” (Gabe)

Outro ponto marcante é amizade entre Kate, Lana e Fay, que é um capítulo a parte. Um amor fraterno foi construído ao longo dos anos, um amor que se solidificou e as fortaleceu como pessoas. Tornaram-se entre si o porto seguro, a fortaleza umas das outras. Aquele elo que as unia, nada podia romper, por maior que fosse o problema, mais elas se aliavam para resolver. Mesmo tão diferentes, com características tão distintas, elas se completavam tal qual um quebra cabeça se encaixando perfeitamente.
Enfim, esse livro é tão rico, tão cheio detalhes, sem se tornar enfadonho, muito pelo contrário, é um livro que te prende do início ao fim, te provoca sensações tão intensas, e às vezes até antagônicas, que provocam um frenesi em todo nosso corpo e mente. A paixão avassaladora do casal, transpõe as barreiras das páginas literárias e nos atinge com força total, confundindo nossos sentidos, nos inebriando e embriagando com muito romance, paixão e amor, puro e verdadeiro.


 “Existe ideias das quais não se consegue escapar. A gente se engaja ao dizer sim, ao dizer não ou quando se cala”

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Procurando o amor nos lugares errados - Audrey Harte - Editora Charme

Livro: Procurando o amor nos lugares errados
Autora: Audrey Harte
Editora: Charme
Casal: Annie e ...

Sinopse: “Annie Chang está com vinte e poucos anos e vive em Los Angeles desde que nasceu. Após uma série de relacionamentos fracassados, ela está começando a pensar que nunca encontrará o cara certo. Mas depois de ver uma de suas melhores amigas encontrar o amor na internet, ela decide tentar um site de namoro online.
Após finalmente encontrar um cara incrível, que a faz se apaixonar perdidamente, será que ele vai ser tudo o que ela deseja e muito mais, ou ele é bom demais para ser verdade?”
.


Impressão do Leitor

Nunca havia lido nada desta autora e me surpreendi com esse livro. O Volume 1 dessa série me deixou intrigada, curiosa e, confesso, decidindo para onde vai minha torcida (e esperando qualquer final, até mesmo um que nem imaginei). Esse livro é bem diferente do que estou acostumada a ler ultimamente, acho que por isso me prendeu de forma tão surpreendente, e, portanto, não vou, como de costume, destacar as quotes, para e estimular a curiosidade de vocês e manter o encanto.
Audrey Harte nos traz uma trama, que, assim que comecei a compreender me remeteu de imediato ao filme “Mensagem para você” estrelado por Tom Hanks e Meg Ryan, só que com um teor mais picante e com algumas diferenças bem interessantes. A linguagem do romance é extremamente fluída e a conexão de ideias nos prende profundamente, instigando sempre a nossa curiosidade (e claro que estou me corroendo pela continuação...).
O livro é estrelado pela Annie, uma jovem contemplada com consecutivas derrotas na vida sentimental desde sua adolescência, o que se perpetuou na vida adulta, com algumas decepções e rejeições que a deixaram insegura para novas relações.
Cansada dessa vida de decepções amorosas, ela toma uma decisão que a faz sair de sua zona de conforto e experimentar uma realidade um pouco diferente do que já está acostumada. Nesse momento, ela explora novos caminhos para tentar encontrar um novo amor. Eis que as possibilidades acabam surgindo e ela passa a experimentar e se envolver.
O primeiro encontro já foi de uma conexão imediata, recheado de muito desejo, mas com a promessa de algo mais. Annie, na minha opinião, sentiu-se dividida entre a vontade de se entregar e a necessidade de se proteger, mas o desejo a consumiu, movendo-a a arriscar. Risco muito bem recebido por seu parceiro, diga-se de passagem...
Mas era um tanto cedo para que pudesse comemorar de fato um relacionamento estável, e uma bomba é lançada em seu colo, fazendo-a perder seu chão novamente, provocando um rompante de um choro convulsivo por mais uma perda que o destino aprontou para sua vida.
Ainda tentado cicatrizar seu coração por mais uma decepção, Annie resolve mudar o foco, mesmo que sem muita esperança de encontrar alguém que pudesse suprir as constantes desilusões. Mais uma vez, o destino conspira e a apresenta uma nova oportunidade de se aventurar...
Essa nova oportunidade, coloca Annie frente a frente com um homem romântico e disposto a ter uma amiga com benefícios, mas embora a proposta fosse um romance casual, Annie acredita na reciprocidade de seu sentimento.
É claro que mais uma vez o destino está agindo e confirmando para Annie que sua sorte no amor deve ser sempre questionada. Mas será que ela não está procurando pelo o amor nos lugares errados? É assim que Annie encontra mais uma oportunidade de viver um amor, sem ao menos estar buscando por isso naquele momento... Um misto de um ombro amigo com desejo carnal, uma combinação bombástica para um amor em potencial... Um homem que te escuta, te entende, te orienta e ainda te deseja intensamente? Isso não pode existir... Mas esse ideal se personifica para Annie e ela vai vivenciando uma relação onde, ao mesmo tempo que é leve, é carregada de um desejo avassalador.
Mas o que acontecerá dessa vez? Ela novamente será testada... Só que a provação, nesse momento, não acontece por uma perda imediata, mas sim por uma necessidade de escolha, onde o coração de Annie será colocado em check; será exposta a uma situação onde a dúvida prevalecerá... e a nossa curiosidade também! Vale muito a pena conferir essa busca de Annie pelo amor! Aguardem cenas dos próximos capítulos...



Continua...

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Zane - Patrícia Rossi - Editora Charme

Livro: Zane
Autora: Patricia Rossi
Editora: Charme
Casal: Quinn e Zane

Sinopse: “Zane Hudson.
Motoqueiro.
Músico.
Tatuado.

Quinn Armentrouth.
Alta sociedade, luxo, glamour.
Tudo no mundo para separá-los.

Ele sabe o que é abandono.
Ela já foi traída.
Uma ex perseguidora.
Um ex que não aceita perder.
Eles pertencem a mundos diferentes.
Mas nem por isso a química entre eles é menor.
A atração é explosiva, instantânea.
Uma mãe que abandona...
Outra que repreende.
Percalços.
Sexo, romance... amor.
Essa paixão seria forte o suficiente para mantê-los unidos?”

.

Impressão do Leitor

Simplesmente o elenco da Editora Charme é sensacional mesmo... A cada novo (a) autor (a), a cada livro lido, a cada casal que conheço e me encanto, percebo o quanto me apaixono cada dia mais por personagens diferentes e autores distintos, mas que me prendem do início ao fim. A nova responsável por conquistar meu coração charmoso é a Patricia Rossi, e o mocinho que entrou para a roll de preferidos no meu coração: Zane.
Apesar de não existir receita de bolo para um bom livro, Zane reúne várias características que muito me agradam, e que juntas o transformam em um livro que te seduz a cada capítulo, com uma fluidez da linguagem e uma incrível conexão de ideias, permeado por uma atmosfera de pura sedução, mas com espaço para um drama e muito, muito romance: quente e atraente.
Patricia Rossi nos apresenta uma história onde mundos opostos se atraem de forma tão magnética, que, mesmo muitos (ou todos) acreditando que nada poderá dar certo em uma relação talvez improvável, eles provam o contrário, tornam-se sinônimo de uma completude maravilhosa.
Aquele clichê de que foram feitos um para o outro? Aqui não é nada de clichê. Quinn e Zane foram realmente moldados para se completar, com toda as diferenças que pudessem existir, mas juntos, são apenas um HOMEM e uma MULHER.
Ele, um homem que aparenta extrema segurança de seu charme e seu poder de sedução, mesmo com seu histórico de sofrimento, que o impede de envolver-se a fundo em relacionamentos amorosos. Seu passado de sofrimento traz um apelo todo especial no contexto da história, já que esse passado estará cada vez mais presente no desenrolar da trama; um passado que o submeteu a diversas situações em que não tinha mais controle sobre suas escolhas e atos. Por conta de tudo que viveu, Zane tenta resistir imensamente ao poder impactante da presença da bela, elegante e imponente Quinn.
Ela, uma mulher bem resolvida e segura, no âmbito amoroso tem uma espécie de vazio existencial. Envolvida por muito anos em um romance morno, sem emoção e sem muito desejo, sofre uma decepção que a faz repensar muitos aspectos de sua vida.
Quando seu caminho se cruza ao de Zane, a conexão entre os dois é tão imediata que a assusta. O desejo que irrompe de forma tão inesperada e impactante, faz com que Quinn comporte-se diferentemente do que foi criada para ser.
Mesmo que ambos resistam a essa atração explosiva que funcionava com um imã, o magnetismo foi tão forte que eles não tiveram como controlar. Ela era destemida, direta e com Zane não tinha medo de demonstrar o quanto seu jeito sedutor a instigava a quere-lo cada vez mais intensamente. Com ele, ela não tinha tantos pudores.
A conexão e atração que Quinn sentiu, impactou também a Zane, que chegou a questionar sua sanidade, em função de sentir saudade de seu rosto apenas a tendo visto uma única vez. Ele sentiu de imediato uma possessividade inexplicável, uma necessidade de marcar um território que parecia distante de ser seu.

“Quinn, você é minha!” (Zane)

Zane era capaz de demonstrar de forma transparente e quase primitiva seus desejos e ideias. Além de ser carinhoso e de um bom humor, impecáveis. Características que não conquistaram somente à Quinn, mas a mim também.

“Você sugou minha alma” (Zane)

O desejo era inquestionável, e esse foi o elo inicial entre o casal. Mas, embora esse desejo fosse intenso, o lado romântico do casal, foi-se construindo gradativamente, sem contudo, encerrar o poder que um tinha sobre o corpo e desejo do outro; ambos demonstravam um certo receio de envolver-se emocionalmente, por isso o aspecto carnal da relação foi tão marcante no início.

Sabe quando você tem a noite perfeita, com a mulher perfeita? Que tem a sensação de que depois dela, nenhuma outra vai ser boa o suficiente?” (Zane)

O que me chama atenção nesse livro, é como eles aprendem a lidar com os conflitos, demonstrando ao longo da trama um crescimento pessoal e emocional que se concretiza fortemente após o passado de ambos voltar para assombra-los e testar a força desse amor.

“Acho que vou ter que te dar um voto de confiança” (Quinn)

Com essa nova ordem que se colocou para quebrar a homeostase da relação, percebemos como a entrega e o envolvimento foi tamanho, chegando ao ponto de um poder e escolher, se necessário, dar a vida pelo outro. Isso demonstra a confiança que um tinha no outro, palavra esta, que na minha opinião, é marcante em toda a relação desse casal. E eles foram realmente testados em vários momentos, onde precisaram enfrentar obstáculos que mexeram com a zona de conforto pessoal e do casal. Nesses momentos, podemos ver o instinto protetor e romântico de Zane vir à tona.

“O que eu fiz para merecer você, bonequinha?” (Zane).


 Preciso fazer um destaque para o último capítulo e o epílogo deste livro. Fica evidenciado claramente o crescimento do casal, e de cada um como pessoa. Foi lindo demais. A entrega e adoração de Zane à Quinn e dela a ele, foi de encher os olhos de lágrimas (e eu o fiz). A libertação de cada um de suas dificuldades e amarras, ficou tão claro que me emocionou, a possibilidade de vê-los aproveitar de uma felicidade plena, encheu meu coração de ternura. A Patrícia nos trouxe um casal complexo, com personalidade e histórias distintas, com conflitos, mas que foram aprendendo, a partir do desejo e da conexão que estabeleceram, a viver uma vida cheia de amor, romântico, proteção, com muito, muito desejo. Super recomendo!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Simplesmente Você - Cissa Prado - Editora Charme

Livro: Simplesmente Você
Autora: Cissa Prado
Editora: Charme
Casal: Helena e Eduardo

Sinopse: Helena é uma jovem simples, divertida e muito desastrada. É bem sucedida profissionalmente e tem uma vida pessoal tranquila. Mas isso muda completamente quando, de maneira inusitada, o destino coloca Eduardo em sua vida. Alto, moreno e dono dos olhos azuis mais lindos que ela já viu, ele vira sua vida de cabeça para baixo e uma paixão arrebatadora surge entre eles. Helena tenta se afastar e evitar o que sente, mas a atração entre os dois fala mais alto.
Eduardo é um homem fantástico, mas também muito misterioso e fechado. Ele não permite que ninguém se aproxime, até que Helena, com seu jeito maluco, começa a quebrar suas barreiras.
Mas um segredo entre eles faz com que o sentimento seja testado. E isso pode colocar tudo a perder. Será que esse casal conseguirá superar os obstáculos que surgirem ao longo do caminho e deixará o amor vencer?

Impressão do Leitor

“Nunca tive tanta certeza de que a mulher da minha vida é simplesmente você”

Gente, não quero ser repetitiva quanto a livros que entram para o roll de favoritos, mas esse ano, confesso, tá difícil não colocar alguns nesse elenco. Simplesmente Você me conquistou do início ao fim, por vários motivos. A Cissa Prado imprime uma marca própria neste livro; ela consegue, ao mesmo tempo, com o mesmo casal, trazer a comédia romântica, com cenas hilárias que me arrancaram gargalhadas; apresenta a leveza do amor romântico, que me fez suspirar e ver coraçõezinhos por onde eu andava, com borboletas no estômago também, é claro; e ainda colocou um quê de mistério com uma carga dramática que transformaram meu coração em uma bateria de escola de samba e meus olhos em um descontrolado mar de lágrimas. Fora a fluidez de sua escrita, numa linguagem clara e que nos entretém intensamente, que me fez ficar presa a essa leitura em todo o meu tempo livre, ou seja, não fazia outra coisa a não ser devorar esse livro.
Ela nos apresenta a Helena e Eduardo, um casal apaixonante, mesmo que em alguns momentos, eu confesso, deu uma certa vontade de esganar o Eduardo... Mas depois que conheci todo o mistério que o rodeava, não tinha como não me entregar a uma verdadeira paixão por ele (Helena que não me escute, com todo respeito, tá bom?).
Helena, uma mocinha encantadora. Jovem, linda (embora não se reconhecesse como tal), extremamente competente no seu trabalho, uma romântica, mas cheia de conflitos por não conseguir um relacionamento sólido. Um tanto quanto desastrada também, e dona de um apetite peculiar. Uma coisa que me cativou nessa personagem foi sua forte ligação com a família e uma fidelidade muito grande as suas amizades (preciso destacar a Vó Elvira, um capítulo a parte nesse livro, uma figura!). Possui um lado apaixonante e bastante aflorado, carregado de altruísmo e filantropia. Dona de uma personalidade instigante... Ao mesmo tempo que apresenta um lado muito doce, consegue ser mais intempestiva; é forte, mas demonstra muita insegurança em alguns momentos, especialmente no seu relacionamento com o Eduardo... Todo esse turbilhão que é Helena, me fez ficar encantada com sua personalidade, embora em alguns momentos eu quisesse dar uma sacudida nela, para chamar sua atenção para algumas coisas. O lado cômico do livro, tem muita relação com essa personalidade dela.
Já o Eduardo, um jovem imponente somente com sua presença, tem um lado muito misterioso (que foi um dos pontos altos desse livro, me fazendo queimar muitos neurônios). Em função dos seus segredos, ele possui algumas atitudes que, aos olhos dos outros, especialmente de Helena, que soam como esnobe, talvez até arrogante. Mas ao mesmo tempo, tem um lado doce e romântico que nem ele mesmo sabia que tinha e somente Helena conseguiu despertar. Um homem marcado por um trauma, um passado que deixou feridas que não permitiam que ele pudesse se envolver e entregar-se a uma verdadeira paixão, a um amor idílico, como o que sentia por Helena. Mas esse sentimento foi tão forte e intenso que contribuiu para quebrar as amarras de seu passado.
Helena e sua marca registrada, ser desastrada, foi a tônica do primeiro encontro. Mesmo em todo um contexto não muito favorável, esse encontro transformou os dois, produziu faíscas que nenhum dos dois nunca havia sentido. Apesar de ser rápido, foi extremamente marcante.
O segundo encontro, inesperado da mesma maneira, os colocou em uma situação complicada, em que precisariam de um contato mais próximo, mas ao mesmo tempo, manter uma certa distância. Contudo, o que estava destinado a ser, nada poderia atrapalhar. A medida que ambos foram conhecendo-se melhor, foi inevitável aflorar o sentimento que era apenas uma faísca de admiração e desejo, tonando-se algo mais profundo e arrebatador.

“Você é muito metido, sabia? Aposto que deve ser um filhinho de papão metido à besta. Mas, se você não está ligando, pelo menos não me prejudique. Diferente de você, eu realmente preciso desse emprego.” (Helena).

Eduardo não sabia lidar com esse turbilhão de emoções que Helena despertara nele, que, somado aos seus segredos e mistérios, fez com que lutasse contra o sentimento que apenas crescia em seu peito. Tentou evitar a ferro e fogo o que Helena estava causando em sua vida, mas o encantamento que ela despertou nele, foi mais forte do que as barreiras impostas por Eduardo. Cedeu ao desejo e ao amor que se instalou sem pedir licença, entregando-se a esse sentimento. Mas a entrega não foi completa, não permitia-se abrir-se com Helena sobre tudo que havia vivenciado, sobre os fardos pesados que ainda carregava. Tudo isso culminou em algumas crises no relacionamento e no aumento das inseguranças de Helena.

“Sim, preciso, porque eu não deveria estar agindo dessa maneira com você. Espero que não me odeie por isso, sei que deve estar me achando um idiota” (Eduardo).
“É claro que não odeio você. Apenas pensei que aquele beijo tivesse significado alguma coisa para você.” (Helena).
“Solto um suspiro de frustração. Esse homem é uma contradição ambulante. Aposto que é bipolar” (Helena).
O comportamento de Eduardo ao longo do livro é interessante demais de ser observado. Percebemos, com clareza, o encantamento que vivenciava nas mínimas coisas, aprendendo a aproveitar o simples, tudo graças à Helena. Essas novas descobertas, a possibilidade de ser ele mesmo, de perceber aspectos de sua personalidade dos quais nunca havia se dado conta, foram os responsáveis por Eduardo resolver abrir seu coração, sua vida à Helena, que por sua vez, não suportava mais essa aura misteriosa que irradiava dele assombrando seus pensamentos e o relacionamento deles. Preciso destacar o quão lindo foi o momento que Eduardo finalmente abriu sua alma para Helena, percebi a leveza tomando conta dele, por poder falar, ser ouvido, compreendido e aceito.

“Até tentei, mas não quero mais evitar o que sinto por você” (Eduardo).
“Você me faz ser uma pessoa diferente, Helena. Perdi tempo demais tentando me afastar e agora quero aproveitar cada segundo ao seu lado” (Eduardo).
“Às vezes fico pensando o que eu fiz para merecer uma garota tão especial. Você me faz acreditar que também sou uma pessoa especial”. (Eduardo)
O amor dos dois passou por várias provações, que cobraram o preço de um amadurecimento a ambos; precisaram passar por um processo de autoconhecimento para conseguirem levar adiante essa relação. Quando isso aconteceu, os dois puderam viver, com toda a força, o amor que os aplacou tão intensamente, que me vi rindo e chorando em vários momentos, dentro de um mesmo capítulo. Mesmo com toda a carga dramática, a leveza desse romance foi o que mais me encantou. Recomendo a todos essa leitura, cheia de muito amor, amizade, sentido de família, entrega, aceitação, cumplicidade e altruísmo. Lindo demais.


“Vim decidido a nunca mais deixar você sair da minha vida” (Eduardo).

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Era Você - Gisele Souza

Livro: Era Você
Autora: Gisele Souza
Editora: Independente
Casal: Alysson e Andrew

Sinopse: Alysson Joana, mais conhecida como AJ, sempre foi uma garota sonhadora; desejava viver plenamente, aproveitando tudo que a vida tinha a lhe oferecer. Livre de amarras, se entregava aos seus desejos de corpo e alma. 
Quando ela conheceu o sedutor Drew, não teve dúvidas de que o queria. E uma noite de amor na praia foi suficiente para que ele ficasse guardado em sua memória. Porém, infortúnios da vida têm o poder de mudar uma pessoa de um dia para o outro. Cansada de se decepcionar, Alysson decide se prender dentro de si mesma. Uma prisão interna que a faz encontrar um novo caminho. E, mesmo que ele lhe custasse tudo do que sempre se orgulhou, era mais seguro. 
Só que, em seu coração, permaneciam as lembranças de quem foi e de quem amou. Em segredo, alimentava um desejo proibido, que nunca poderia ser saciado. Um amor ilícito, uma tentação. 
Contudo, para viver esse amor, ela precisava libertar-se da prisão na qual se encarcerou e se reencontrar. 

“Negar-se pode ser mais sufocante do que perder o ar.”

Impressão do Leitor

“A liberdade só será possível quando você estiver tão inteiro que também possa enfrentar a responsabilidade de ser livre” (Autor desconhecido).

Inicio minha resenha com essa frase retirada do epílogo deste livro, pois, na minha opinião é uma das principais mensagens que ele nos deixa, dentre tantas outras. Era você, embora eu corra o risco de torna-me repetitiva, se tornou um dos meus romances favoritos. É um livro que vem nos instigar a refletir sobre nosso comportamento conosco e em nossos relacionamentos; nos provocar a questionar até que ponto estamos dispostos a abrir mão de quem somos em busca de aceitação e de uma suposta segurança, explorando com maestria várias temáticas que juntas, o transformam nessa maravilha que é.
A Gisele conseguiu prender a minha atenção já no prólogo e assim se manteu até o capítulo bônus (que por sinal é uma das minhas partes favoritas). O livro traz a história de Alysson, mais conhecida por AJ e Andrew, Drew para os intímos, como ele mesmo, sedutoramente, gosta de afirmar. Os caminhos dos dois se cruzam ainda jovens, de forma bem casual, mas que, os marcou a ferro e fogo. O destino, da mesma forma que provocou esse encontro, os obrigou a fazer escolhas que os separaram.
Podemos descrever os dois a partir de suas histórias de vida, e como em ambos, esses momentos foram marcantes para a construção de seus repertórios comportamentais. AJ, uma mulher de uma beleza estonteante, que na juventude era livre de amarras e se permitia viver tudo que se propunha a viver, após sofrer algumas decepções e precisar fazer algumas escolhas, tornou-se, ao longos dos anos, uma mulher que buscava adequar-se ao que a sociedade determinava, mas especificamente a família do seu marido. Aos poucos, ela deixou de ser AJ para ser Alysson, uma mulher que tinha desejos e vontades, mas que as sublimou em prol da família. Mesmo no auge de sua juventude, Alysson, dona de uma determinação e de uma grande teimosia, foi deixando que seu brilho se apagasse, passando a viver em uma prisão interna, onde, nem mesmo nos seus pensamentos, permitia surgir novamente a AJ.

“Olha, Drew. Não precisa fingir nada, sei o que você queria com essa festa e o notei me olhando desde que cheguei, talvez eu queira a mesma coisa” (AJ)

 “Confesso que também era um pouco desconfiada quanto a isso, por esse motivo que escolhi o seguro. Talvez o problema de tudo era quando se entregava por inteiro, mas se você segurasse um pouco pra si, não corria o risco de se deixar atropelar” (Alysson).
            Drew, era um jovem sonhador, cheio de vida, dotado de particular beleza, extremamente volúvel no que se refere as mulheres. Contudo, ao que parecia ser apenas mais uma mulher em sua vida, despertou nele o desejo e as sensações nunca antes experimentadas, que o marcou no fundo de sua alma. Ele precisou fazer uma escolha e optou por seguir o seu sonho de entrar para marinha americana e se tornar um SEAL, em detrimento de uma paixão de uma noite só. Porém, essa paixão ficou impregnada nele de tal forma, que, mesmo depois de tanto tempo, percebeu que não se apagava tão facilmente. Assim, decidiu voltar e reconquistar o que deixou para trás. Só que mais uma vez o destino prega peças. Ao voltar ele teve uma desagradável surpresa, que adiou mais uma vez os planos de viver intensamente essa paixão. Como sempre foi extremamente fiel àqueles que ama, precisou aprisionar essa paixão, transformando esse sentimento (ou melhor, mascarando-o) em uma linda amizade.
Durante muito tempo, Drew tornou-se um verdadeiro amigo para Aly, aquele com quem ela podia contar, e em muitos momentos desabafar sobre as vicissitudes da vida. Já mencionei aqui as artimanhas do destino? Pois bem, mais uma vez ele apronta das suas e, após um evento trágico, que afetou a ambos, traz a tona o sentimento a tanto sublimado. Ele voltou de uma forma tão intensa, que para AJ foi um tanto assustador, fazendo com que ela demonstrasse um grande receio de entregar-se a tudo o que sentia. Mas esse momento, somado a tragédia que havia experimentado e a tudo que se transformou sua vida, provocaram nela uma necessidade de libertar-se das amarras que ela mesma se vestiu; aos poucos, mesmo a base de algum sofrimento, ela foi voltando a ser o que sempre foi, recuperando o brilho e a vontade de viver, recuperando a capacidade de perceber que podia ser feliz e que merecia isso.

“... Você precisa se conhecer novamente, Alysson. Se amar antes de me dar uma chance de entrar no seu coração” (Drew)
            Após ambos se libertarem dos seus passados, refletirem sobre suas necessidades e sentimentos, é que se permitem uma entrega tão plena que me fez derramar lágrimas com tanta beleza. Libertam-se das convenções, das amarras e vivem, em plenitude, o amor sublime e leve, sem cobranças e julgamentos, apenas a cumplicidade e aceitação como alicerce de todo o relacionamento.

“Eu não consigo negar mais nada, Andrew, cansei de ser alguém que precisam que eu seja. Cansei de negar meus desejos. Não sou o que reflete no espelho.” (AJ)

“... Quando eu me encontrei, era você que estava ali ao meu lado para me apoiar e me dedicar todo seu amor. E te amo ainda mais por me ajudar a me permitir ser eu. Nossa união é abençoada porque respeitamos quem somos! Obrigada por não desistir de mim mesmo quando eu desisti...” (AJ).

“Mesmo quando não era minha Alysson, se eu precisasse força para enfrentar qualquer coisa, era em vocês que eu pensava. Amo Sophie como minha filha”. (Drew)

“Era você em todos os momentos, AJ” (Drew).
            Gente, e o que é a Sophie?! Essa menina, tão pequena, é de uma sabedoria apaixonante. Ela nos ensina tanta coisa, de uma maneira tão leve e muitas vezes engraçada, que se torna impossível não nos apaixonarmos por essa criança. Sentimos a sua dor, o seu amor, a sua sabedoria, na nossa pele. Em vários momentos, me peguei querendo acalenta-la, ou vibrando por suas tiradas desconcertantes.

“Aprendi a amar. Sim, eu aprendi a amar de todas as formas possíveis e tipos de pessoas.
Aprendi a amar e admirar minha mãe e admirar a mulher maravilhosa que ela é. Aprendi a amar você, pai, porque percebi que tenho parte de ti dentro de mim e amo ela, por isso eu te amo...
Mas, acima de tudo, minha mãe me ensinou a amar a mim mesma.” (Sophie).

            Por falar em Sophie, preciso dizer que a Gisele enriqueceu imensamente esse livro explorando a relação entre Sophie e Aly. A mãe se mostra uma leoa no que se refere a filha. Aquela mãe que não impede a filha de sonhar, que a estimula, a incentiva, a acolhe e a ama incondicionalmente, e que a protege; tendo o reconhecimento de tudo isso por parte de Sophie. Fiquei extremamente emocionada com a forma que as duas se amam. A Sophie, definitivamente conquistou meu coração. Lindo também, é o amor e a cumplicidade que Drew e Sophie construíram, mostrando que o amor supera inclusive laços sanguíneos.

“Eu te entendo, minha lindinha. Mas vamos combinar uma coisa? Se você for forte por mim, eu serei forte por você. Assim apoiamos uma a outra, o que acha?” (Alysson)

“Eu te conheço, mamãe, não aquela outra que era quando se escondia, mas essa que tá aí dentro” (Sophie)
            Esse romance, como todos da Gisele, me transportam a uma automática reflexão. O epílogo desse livro, é o maior exemplo disso, quando, abertamente, te questiona diretamente sobre fatos que você nem sempre reflete ao longo da sua vida, diante de automatismos que realidade nos impõe. Confesso que após a leitura parei sim, e automaticamente me peguei pensando até que ponto sou livre para viver conforme eu acredito, se de fato não me coloco em situações extremamente aversivas para as quais não tenho vontade de sair, por puro comodismo. Questionei-me intensamente sobre as relações que estabeleci ao longo da minha vida, que foram responsáveis pelo meu repertório comportamental. Posso afirmar categoricamente que me fez tão mais leve pensar sobre isso e refletir sobre minha vida, minhas escolhas, meus comportamentos, que me causou até um arrependimento por não ter feito isso, tão intensamente, anteriormente. Por isso amo os livros, pois podemos aprender e fazer transcender as vivências dos personagens para reflexão sobre a nossa própria vida, e o fazemos de forma tão natural, que se torna mais fácil lidarmos com as questões que possam surgir. Por tudo isso, sou muito grata a Gisele, pois além de nos entreter com sua mágica e poderosa escrita, nos permite nos autoconhecermos a partir da realidade e das temáticas que nos apresenta. Recomendo muito essa linda e apaixonante leitura.


“Um relacionamento saudável é aquele que ama sim, muito, mas que também respeita o espaço de cada um. É o amor que sente saudades sim, mas respeita as escolhas do outro. É o amor que apoia, que elogia, que eleva” (Alysson).

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Insinuação - Gisele Souza

Livro: Insinuação
Autora: Gisele Souza
Editora: Independente
Casal: Liz e Heitor

Sinopse: A beleza da vida está na simplicidade das coisas. Um olhar carregado de insinuações pode transmitir muito mais do que palavras conseguem traduzir. 
O misterioso Heitor Teles é um homem de origem humilde, que batalhou por cada conquista na vida. Apesar do bom humor e charme cativante, o dono do Beer At The Bar caminhou nas sombras por muitos anos, expurgando seus pecados. Quando tudo parecia ter se perdido, ele encontrou a paz que tanto almejava e a esperança de redenção. 

Liz Queiroz conheceu Heitor em seu momento mais frágil, de alguma forma se conectou a ele muito mais do que deveria e precisou se afastar. Mas seus sentimentos eram fortes e reais demais para ignorá-los. Por mais que fosse se machucar, ela precisava dar uma chance. 
Só não contava que os fantasmas do passado retornariam. Um segredo capaz de destruir o que restava da esperança precisava ser revelado. Como perdoar o erro que custou mais que sua alma?
?

Impressão do Leitor

“Um homem não é outra coisa senão o que faz de si mesmo” (Jean-Paul Sartre).

Nem sei como começar a falar sobre esse livro. A Gisele conseguiu mexer tanto com meu emocional com essa história, com suas revelações! Posso afirmar, categoricamente, que esse é, de longe, o livro com a maior carga emocional e dramática de toda a série. Ainda estou perdida com meus pensamentos e tantos sentimentos que conflitam e ao mesmo tempo se complementam.
O livro traz a história de Heitor e Liz. Ambos já apareciam nos volumes anteriores, mas nesse conseguimos, finalmente, desvendar e compreender até a alma desse casal. Heitor é um homem bem resolvido profissionalmente, mas muito misterioso, era visível que ele construiu um escudo protetivo ao seu redor, não permitindo que as pessoas que ele mais amava na vida tivessem acesso ao lado mais obscuro de seu passado, que ele lutava para fugir, apagar, das maneiras mais diversas e mais perigosas possíveis. Essa aura misteriosa de Heitor sempre foi o que me atraiu e me fez esperar ansiosa pelo seu livro. Confesso que levantei inúmeras hipóteses, em algumas até cheguei perto, mas nunca, em tempo algum, podia imaginar que fosse um drama como esse.
Heitor busca se punir por seu passado, diria que beira o autoflagelo; tenta afastar as pessoas que amava para não as permitir entrar e expô-las ao perigo que ele considerava ser. No fundo, acho que Heitor buscava se blindar, pois não conseguiu mais suportar tanto sofrimento, e tinha um medo forte de viver tudo aquilo novamente. Com isso, Heitor não se permitia viver em sua plenitude, em nada que se propunha a fazer; vivia esquivando-se e fugindo de tudo que podia fazê-lo feliz; era como se não se sentisse merecedor da felicidade, do dom da vida. Até que conheceu Liz, em uma situação, para variar, extremamente dramática.
Liz era uma médica muito competente no que fazia, extremamente dedicada ao seu ofício e juramento. Contudo, apesar de amar seus pais profundamente, sentia-se sozinha, porém, não conseguia envolver-se em relacionamento amorosos, por temer mais desilusão e humilhação, como as que sofrera no passado. Só não contava com esse encontro, predestinado, diga-se de passagem, com Heitor. O magnetismo foi tão forte, que digamos, somente a presença de Liz foi capaz de “trazê-lo de volta à luz”. E aí começa o drama desse casal.
Ao mesmo tempo que não negavam a enorme atração que os conectava, não conseguiam entregar-se por completo, pois acabaram construindo essa relação de uma forma equivocada. Liz resolveu perceber em Heitor uma segunda chance para amar, mas delegando a ele a responsabilidade de fazê-la feliz. Em contrapartida, Heitor a via como sua luz, como sua redenção, como uma forma de sublimar o seu passado. Na minha opinião, aí consistia o equívoco. Não é possível buscar a felicidade somente no outro e pelo outro, é preciso que tenhamos consciência de que somos os únicos responsáveis por nosso sucesso e nossa felicidade. O outro é um complemento a isso. Para fazer alguém feliz, preciso estar bem resolvido comigo mesmo, entendendo que dificuldades existirão, mas que, me autoconhecendo, consigo transpô-las sem responsabilizar ou culpabilizar o outro ou a si próprio.

“Você precisa trazer minha luz de volta! Só ela pode me tirar das sombras. ” (Heitor).

“Não sou a salvação de ninguém. Apenas você pode fazer isso por si mesmo, Heitor. É bom colocar isso na sua cabeça antes que magoe alguém” (Liz).

Diante de todo o drama que regeu a vida de ambos, com perdas, decepções, lutos, vocês podem imaginar a grande dificuldade que tinham para autoconhecer-se, para compreender que não é possível apagar o passado, mas existe a possibilidade de aprender a conviver com isso e apesar disso.
Quando o casal se deu conta de tudo isso, precisaram lutar, aparentemente e necessariamente sozinhos para amadurecer; compreender e aceitar suas questões, dificuldades, defeitos e qualidades. Isso era primordial para buscar a felicidade, sem o pensamento utópico de que o amor que nutriam um pelo outro apagaria toda dor e sofrimento que vivenciaram. Esse amor seria sim responsável por ajudar a lidar e aceitar o passado e suas dores, mas sobreviveriam apesar de tudo e acima de tudo. Eles não salvaram um ao outro, aprenderam a se ajudar e complementar, aprenderam que podem ser felizes e que tem esse direito. É lindo e sofrido ver o crescimento, a libertação e redenção das personagens, lidando com suas questões e com sofrimento oriundo de todo esse processo.

“Eu vivi sendo apenas um pedaço por muito tempo, carreguei uma culpa que não tinha tamanho e acreditei realmente que tinha responsabilidade das coisas ruins que me aconteceram. Por caminhar tanto tempo sozinho e na escuridão, eu esqueci como era ver a luz; quando você apareceu na minha vida, vi uma chance de tentar ser feliz de novo. Achei que Deus não poderia ter colocado alguém tão especial no meu caminho se eu não tivesse uma chance de redenção. Só que não me dei conta de que eu nunca poderia ter essa chance se não perdoasse a mim mesmo. Ainda não o fiz, Liz...” (Heitor).

“... E você não lutou minhas batalhas, mas me mostrou o caminho para que eu pudesse vencer sozinho” (Heitor).

Um aspecto que me encantou nesse livro foi o fortalecimento das relações entre todos os casais dos livros anteriores. Gisele nos brindou com cenas incríveis protagonizada por eles! O que foram aquelas cenas românticas, com a expressão mais pura e sublime do amor? Cenas que nos brindavam com tanto amor, amizade, que nos ensinavam os diversos significados de família, de amor fraterno, de proteção, segurança e acolhimento. Percebe-se que, apesar de termos que lidar com nossos fantasmas internos sozinhos, esse amor familiar (em todas as suas nuances) facilita muito esse processo. A unidade que eles se tornaram, deu um que de suavidade a esse romance. Tudo muito bem escrito e delineado, sem brechas, só complementos.
Esse livro é tão intenso que confesso, fui dormir inúmeras vezes soluçando e com os olhos inchados de tanto choro extravasado. Choro com diferentes significados... Choro pela perda, pela dor, pela saudade, pelo amor intenso e verdadeiro, pela entrega, pela amizade, pela família, pelas descobertas e revelações... esse livro me trouxe várias questões para reflexão, mas apesar de difícil, tento sinalizar uma que mais me marcou: devemos viver nossa vida intensamente, dizer o quanto nos amamos e amamos o outro... entender que nem tudo está sob nosso controle e precisamos viver apesar disso. Fez eu refletir que a vida não é nada fácil, é cheia de dramas reais, mas que podemos viver e aceitar essas dificuldades como parte de nosso crescimento e amar tão intensamente e com todos os seus significados.
Sou realmente grata à Gisele por me proporcionar tantos sentimentos diversos em um mesmo capítulo e em todo o livro. A sensibilidade, o amadurecimento de todos os personagens ao longo dos 4 livros foi incrível e marcante. Esse livro é simplesmente lindo, por tudo isso que descrevi, por todos os sentimentos que desperta, por tratar de temas tão cheio de significados e realidade, por toda intensa carga emocional e ao mesmo tempo, contrabalanceando, temas cercados de suavidade e sensibilidade. Definitivamente essa série é uma das minhas favoritas e esse livro, com toda certeza é um dos que mais me marcou nos últimos tempos, me fez ver como somos frágeis, mas como somos belos exatamente por nossas fragilidades, por nossa capacidade de sobrepô-las, por nossa capacidade de resiliência. Simplesmente incrível! Recomendo muito essa leitura.

“Encontre a sua inspiração e a qualquer impulso do destino se entregue ao ímpeto de se apaixonar perdidamente por alguém ou alguma coisa, submeta-se completamente às boas insinuações da vida” (Layla).


“Carpe diem, quam minimum crédula póstero, que significa: ‘Aproveite o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã’” (Heitor).