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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Era Você - Gisele Souza

Livro: Era Você
Autora: Gisele Souza
Editora: Independente
Casal: Alysson e Andrew

Sinopse: Alysson Joana, mais conhecida como AJ, sempre foi uma garota sonhadora; desejava viver plenamente, aproveitando tudo que a vida tinha a lhe oferecer. Livre de amarras, se entregava aos seus desejos de corpo e alma. 
Quando ela conheceu o sedutor Drew, não teve dúvidas de que o queria. E uma noite de amor na praia foi suficiente para que ele ficasse guardado em sua memória. Porém, infortúnios da vida têm o poder de mudar uma pessoa de um dia para o outro. Cansada de se decepcionar, Alysson decide se prender dentro de si mesma. Uma prisão interna que a faz encontrar um novo caminho. E, mesmo que ele lhe custasse tudo do que sempre se orgulhou, era mais seguro. 
Só que, em seu coração, permaneciam as lembranças de quem foi e de quem amou. Em segredo, alimentava um desejo proibido, que nunca poderia ser saciado. Um amor ilícito, uma tentação. 
Contudo, para viver esse amor, ela precisava libertar-se da prisão na qual se encarcerou e se reencontrar. 

“Negar-se pode ser mais sufocante do que perder o ar.”

Impressão do Leitor

“A liberdade só será possível quando você estiver tão inteiro que também possa enfrentar a responsabilidade de ser livre” (Autor desconhecido).

Inicio minha resenha com essa frase retirada do epílogo deste livro, pois, na minha opinião é uma das principais mensagens que ele nos deixa, dentre tantas outras. Era você, embora eu corra o risco de torna-me repetitiva, se tornou um dos meus romances favoritos. É um livro que vem nos instigar a refletir sobre nosso comportamento conosco e em nossos relacionamentos; nos provocar a questionar até que ponto estamos dispostos a abrir mão de quem somos em busca de aceitação e de uma suposta segurança, explorando com maestria várias temáticas que juntas, o transformam nessa maravilha que é.
A Gisele conseguiu prender a minha atenção já no prólogo e assim se manteu até o capítulo bônus (que por sinal é uma das minhas partes favoritas). O livro traz a história de Alysson, mais conhecida por AJ e Andrew, Drew para os intímos, como ele mesmo, sedutoramente, gosta de afirmar. Os caminhos dos dois se cruzam ainda jovens, de forma bem casual, mas que, os marcou a ferro e fogo. O destino, da mesma forma que provocou esse encontro, os obrigou a fazer escolhas que os separaram.
Podemos descrever os dois a partir de suas histórias de vida, e como em ambos, esses momentos foram marcantes para a construção de seus repertórios comportamentais. AJ, uma mulher de uma beleza estonteante, que na juventude era livre de amarras e se permitia viver tudo que se propunha a viver, após sofrer algumas decepções e precisar fazer algumas escolhas, tornou-se, ao longos dos anos, uma mulher que buscava adequar-se ao que a sociedade determinava, mas especificamente a família do seu marido. Aos poucos, ela deixou de ser AJ para ser Alysson, uma mulher que tinha desejos e vontades, mas que as sublimou em prol da família. Mesmo no auge de sua juventude, Alysson, dona de uma determinação e de uma grande teimosia, foi deixando que seu brilho se apagasse, passando a viver em uma prisão interna, onde, nem mesmo nos seus pensamentos, permitia surgir novamente a AJ.

“Olha, Drew. Não precisa fingir nada, sei o que você queria com essa festa e o notei me olhando desde que cheguei, talvez eu queira a mesma coisa” (AJ)

 “Confesso que também era um pouco desconfiada quanto a isso, por esse motivo que escolhi o seguro. Talvez o problema de tudo era quando se entregava por inteiro, mas se você segurasse um pouco pra si, não corria o risco de se deixar atropelar” (Alysson).
            Drew, era um jovem sonhador, cheio de vida, dotado de particular beleza, extremamente volúvel no que se refere as mulheres. Contudo, ao que parecia ser apenas mais uma mulher em sua vida, despertou nele o desejo e as sensações nunca antes experimentadas, que o marcou no fundo de sua alma. Ele precisou fazer uma escolha e optou por seguir o seu sonho de entrar para marinha americana e se tornar um SEAL, em detrimento de uma paixão de uma noite só. Porém, essa paixão ficou impregnada nele de tal forma, que, mesmo depois de tanto tempo, percebeu que não se apagava tão facilmente. Assim, decidiu voltar e reconquistar o que deixou para trás. Só que mais uma vez o destino prega peças. Ao voltar ele teve uma desagradável surpresa, que adiou mais uma vez os planos de viver intensamente essa paixão. Como sempre foi extremamente fiel àqueles que ama, precisou aprisionar essa paixão, transformando esse sentimento (ou melhor, mascarando-o) em uma linda amizade.
Durante muito tempo, Drew tornou-se um verdadeiro amigo para Aly, aquele com quem ela podia contar, e em muitos momentos desabafar sobre as vicissitudes da vida. Já mencionei aqui as artimanhas do destino? Pois bem, mais uma vez ele apronta das suas e, após um evento trágico, que afetou a ambos, traz a tona o sentimento a tanto sublimado. Ele voltou de uma forma tão intensa, que para AJ foi um tanto assustador, fazendo com que ela demonstrasse um grande receio de entregar-se a tudo o que sentia. Mas esse momento, somado a tragédia que havia experimentado e a tudo que se transformou sua vida, provocaram nela uma necessidade de libertar-se das amarras que ela mesma se vestiu; aos poucos, mesmo a base de algum sofrimento, ela foi voltando a ser o que sempre foi, recuperando o brilho e a vontade de viver, recuperando a capacidade de perceber que podia ser feliz e que merecia isso.

“... Você precisa se conhecer novamente, Alysson. Se amar antes de me dar uma chance de entrar no seu coração” (Drew)
            Após ambos se libertarem dos seus passados, refletirem sobre suas necessidades e sentimentos, é que se permitem uma entrega tão plena que me fez derramar lágrimas com tanta beleza. Libertam-se das convenções, das amarras e vivem, em plenitude, o amor sublime e leve, sem cobranças e julgamentos, apenas a cumplicidade e aceitação como alicerce de todo o relacionamento.

“Eu não consigo negar mais nada, Andrew, cansei de ser alguém que precisam que eu seja. Cansei de negar meus desejos. Não sou o que reflete no espelho.” (AJ)

“... Quando eu me encontrei, era você que estava ali ao meu lado para me apoiar e me dedicar todo seu amor. E te amo ainda mais por me ajudar a me permitir ser eu. Nossa união é abençoada porque respeitamos quem somos! Obrigada por não desistir de mim mesmo quando eu desisti...” (AJ).

“Mesmo quando não era minha Alysson, se eu precisasse força para enfrentar qualquer coisa, era em vocês que eu pensava. Amo Sophie como minha filha”. (Drew)

“Era você em todos os momentos, AJ” (Drew).
            Gente, e o que é a Sophie?! Essa menina, tão pequena, é de uma sabedoria apaixonante. Ela nos ensina tanta coisa, de uma maneira tão leve e muitas vezes engraçada, que se torna impossível não nos apaixonarmos por essa criança. Sentimos a sua dor, o seu amor, a sua sabedoria, na nossa pele. Em vários momentos, me peguei querendo acalenta-la, ou vibrando por suas tiradas desconcertantes.

“Aprendi a amar. Sim, eu aprendi a amar de todas as formas possíveis e tipos de pessoas.
Aprendi a amar e admirar minha mãe e admirar a mulher maravilhosa que ela é. Aprendi a amar você, pai, porque percebi que tenho parte de ti dentro de mim e amo ela, por isso eu te amo...
Mas, acima de tudo, minha mãe me ensinou a amar a mim mesma.” (Sophie).

            Por falar em Sophie, preciso dizer que a Gisele enriqueceu imensamente esse livro explorando a relação entre Sophie e Aly. A mãe se mostra uma leoa no que se refere a filha. Aquela mãe que não impede a filha de sonhar, que a estimula, a incentiva, a acolhe e a ama incondicionalmente, e que a protege; tendo o reconhecimento de tudo isso por parte de Sophie. Fiquei extremamente emocionada com a forma que as duas se amam. A Sophie, definitivamente conquistou meu coração. Lindo também, é o amor e a cumplicidade que Drew e Sophie construíram, mostrando que o amor supera inclusive laços sanguíneos.

“Eu te entendo, minha lindinha. Mas vamos combinar uma coisa? Se você for forte por mim, eu serei forte por você. Assim apoiamos uma a outra, o que acha?” (Alysson)

“Eu te conheço, mamãe, não aquela outra que era quando se escondia, mas essa que tá aí dentro” (Sophie)
            Esse romance, como todos da Gisele, me transportam a uma automática reflexão. O epílogo desse livro, é o maior exemplo disso, quando, abertamente, te questiona diretamente sobre fatos que você nem sempre reflete ao longo da sua vida, diante de automatismos que realidade nos impõe. Confesso que após a leitura parei sim, e automaticamente me peguei pensando até que ponto sou livre para viver conforme eu acredito, se de fato não me coloco em situações extremamente aversivas para as quais não tenho vontade de sair, por puro comodismo. Questionei-me intensamente sobre as relações que estabeleci ao longo da minha vida, que foram responsáveis pelo meu repertório comportamental. Posso afirmar categoricamente que me fez tão mais leve pensar sobre isso e refletir sobre minha vida, minhas escolhas, meus comportamentos, que me causou até um arrependimento por não ter feito isso, tão intensamente, anteriormente. Por isso amo os livros, pois podemos aprender e fazer transcender as vivências dos personagens para reflexão sobre a nossa própria vida, e o fazemos de forma tão natural, que se torna mais fácil lidarmos com as questões que possam surgir. Por tudo isso, sou muito grata a Gisele, pois além de nos entreter com sua mágica e poderosa escrita, nos permite nos autoconhecermos a partir da realidade e das temáticas que nos apresenta. Recomendo muito essa linda e apaixonante leitura.


“Um relacionamento saudável é aquele que ama sim, muito, mas que também respeita o espaço de cada um. É o amor que sente saudades sim, mas respeita as escolhas do outro. É o amor que apoia, que elogia, que eleva” (Alysson).

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Insinuação - Gisele Souza

Livro: Insinuação
Autora: Gisele Souza
Editora: Independente
Casal: Liz e Heitor

Sinopse: “A beleza da vida está na simplicidade das coisas. Um olhar carregado de insinuações pode transmitir muito mais do que palavras conseguem traduzir. 
O misterioso Heitor Teles é um homem de origem humilde, que batalhou por cada conquista na vida. Apesar do bom humor e charme cativante, o dono do Beer At The Bar caminhou nas sombras por muitos anos, expurgando seus pecados. Quando tudo parecia ter se perdido, ele encontrou a paz que tanto almejava e a esperança de redenção. 

Liz Queiroz conheceu Heitor em seu momento mais frágil, de alguma forma se conectou a ele muito mais do que deveria e precisou se afastar. Mas seus sentimentos eram fortes e reais demais para ignorá-los. Por mais que fosse se machucar, ela precisava dar uma chance. 
Só não contava que os fantasmas do passado retornariam. Um segredo capaz de destruir o que restava da esperança precisava ser revelado. Como perdoar o erro que custou mais que sua alma?
?

Impressão do Leitor

“Um homem não é outra coisa senão o que faz de si mesmo” (Jean-Paul Sartre).

Nem sei como começar a falar sobre esse livro. A Gisele conseguiu mexer tanto com meu emocional com essa história, com suas revelações! Posso afirmar, categoricamente, que esse é, de longe, o livro com a maior carga emocional e dramática de toda a série. Ainda estou perdida com meus pensamentos e tantos sentimentos que conflitam e ao mesmo tempo se complementam.
O livro traz a história de Heitor e Liz. Ambos já apareciam nos volumes anteriores, mas nesse conseguimos, finalmente, desvendar e compreender até a alma desse casal. Heitor é um homem bem resolvido profissionalmente, mas muito misterioso, era visível que ele construiu um escudo protetivo ao seu redor, não permitindo que as pessoas que ele mais amava na vida tivessem acesso ao lado mais obscuro de seu passado, que ele lutava para fugir, apagar, das maneiras mais diversas e mais perigosas possíveis. Essa aura misteriosa de Heitor sempre foi o que me atraiu e me fez esperar ansiosa pelo seu livro. Confesso que levantei inúmeras hipóteses, em algumas até cheguei perto, mas nunca, em tempo algum, podia imaginar que fosse um drama como esse.
Heitor busca se punir por seu passado, diria que beira o autoflagelo; tenta afastar as pessoas que amava para não as permitir entrar e expô-las ao perigo que ele considerava ser. No fundo, acho que Heitor buscava se blindar, pois não conseguiu mais suportar tanto sofrimento, e tinha um medo forte de viver tudo aquilo novamente. Com isso, Heitor não se permitia viver em sua plenitude, em nada que se propunha a fazer; vivia esquivando-se e fugindo de tudo que podia fazê-lo feliz; era como se não se sentisse merecedor da felicidade, do dom da vida. Até que conheceu Liz, em uma situação, para variar, extremamente dramática.
Liz era uma médica muito competente no que fazia, extremamente dedicada ao seu ofício e juramento. Contudo, apesar de amar seus pais profundamente, sentia-se sozinha, porém, não conseguia envolver-se em relacionamento amorosos, por temer mais desilusão e humilhação, como as que sofrera no passado. Só não contava com esse encontro, predestinado, diga-se de passagem, com Heitor. O magnetismo foi tão forte, que digamos, somente a presença de Liz foi capaz de “trazê-lo de volta à luz”. E aí começa o drama desse casal.
Ao mesmo tempo que não negavam a enorme atração que os conectava, não conseguiam entregar-se por completo, pois acabaram construindo essa relação de uma forma equivocada. Liz resolveu perceber em Heitor uma segunda chance para amar, mas delegando a ele a responsabilidade de fazê-la feliz. Em contrapartida, Heitor a via como sua luz, como sua redenção, como uma forma de sublimar o seu passado. Na minha opinião, aí consistia o equívoco. Não é possível buscar a felicidade somente no outro e pelo outro, é preciso que tenhamos consciência de que somos os únicos responsáveis por nosso sucesso e nossa felicidade. O outro é um complemento a isso. Para fazer alguém feliz, preciso estar bem resolvido comigo mesmo, entendendo que dificuldades existirão, mas que, me autoconhecendo, consigo transpô-las sem responsabilizar ou culpabilizar o outro ou a si próprio.

“Você precisa trazer minha luz de volta! Só ela pode me tirar das sombras. ” (Heitor).

“Não sou a salvação de ninguém. Apenas você pode fazer isso por si mesmo, Heitor. É bom colocar isso na sua cabeça antes que magoe alguém” (Liz).

Diante de todo o drama que regeu a vida de ambos, com perdas, decepções, lutos, vocês podem imaginar a grande dificuldade que tinham para autoconhecer-se, para compreender que não é possível apagar o passado, mas existe a possibilidade de aprender a conviver com isso e apesar disso.
Quando o casal se deu conta de tudo isso, precisaram lutar, aparentemente e necessariamente sozinhos para amadurecer; compreender e aceitar suas questões, dificuldades, defeitos e qualidades. Isso era primordial para buscar a felicidade, sem o pensamento utópico de que o amor que nutriam um pelo outro apagaria toda dor e sofrimento que vivenciaram. Esse amor seria sim responsável por ajudar a lidar e aceitar o passado e suas dores, mas sobreviveriam apesar de tudo e acima de tudo. Eles não salvaram um ao outro, aprenderam a se ajudar e complementar, aprenderam que podem ser felizes e que tem esse direito. É lindo e sofrido ver o crescimento, a libertação e redenção das personagens, lidando com suas questões e com sofrimento oriundo de todo esse processo.

“Eu vivi sendo apenas um pedaço por muito tempo, carreguei uma culpa que não tinha tamanho e acreditei realmente que tinha responsabilidade das coisas ruins que me aconteceram. Por caminhar tanto tempo sozinho e na escuridão, eu esqueci como era ver a luz; quando você apareceu na minha vida, vi uma chance de tentar ser feliz de novo. Achei que Deus não poderia ter colocado alguém tão especial no meu caminho se eu não tivesse uma chance de redenção. Só que não me dei conta de que eu nunca poderia ter essa chance se não perdoasse a mim mesmo. Ainda não o fiz, Liz...” (Heitor).

“... E você não lutou minhas batalhas, mas me mostrou o caminho para que eu pudesse vencer sozinho” (Heitor).

Um aspecto que me encantou nesse livro foi o fortalecimento das relações entre todos os casais dos livros anteriores. Gisele nos brindou com cenas incríveis protagonizada por eles! O que foram aquelas cenas românticas, com a expressão mais pura e sublime do amor? Cenas que nos brindavam com tanto amor, amizade, que nos ensinavam os diversos significados de família, de amor fraterno, de proteção, segurança e acolhimento. Percebe-se que, apesar de termos que lidar com nossos fantasmas internos sozinhos, esse amor familiar (em todas as suas nuances) facilita muito esse processo. A unidade que eles se tornaram, deu um que de suavidade a esse romance. Tudo muito bem escrito e delineado, sem brechas, só complementos.
Esse livro é tão intenso que confesso, fui dormir inúmeras vezes soluçando e com os olhos inchados de tanto choro extravasado. Choro com diferentes significados... Choro pela perda, pela dor, pela saudade, pelo amor intenso e verdadeiro, pela entrega, pela amizade, pela família, pelas descobertas e revelações... esse livro me trouxe várias questões para reflexão, mas apesar de difícil, tento sinalizar uma que mais me marcou: devemos viver nossa vida intensamente, dizer o quanto nos amamos e amamos o outro... entender que nem tudo está sob nosso controle e precisamos viver apesar disso. Fez eu refletir que a vida não é nada fácil, é cheia de dramas reais, mas que podemos viver e aceitar essas dificuldades como parte de nosso crescimento e amar tão intensamente e com todos os seus significados.
Sou realmente grata à Gisele por me proporcionar tantos sentimentos diversos em um mesmo capítulo e em todo o livro. A sensibilidade, o amadurecimento de todos os personagens ao longo dos 4 livros foi incrível e marcante. Esse livro é simplesmente lindo, por tudo isso que descrevi, por todos os sentimentos que desperta, por tratar de temas tão cheio de significados e realidade, por toda intensa carga emocional e ao mesmo tempo, contrabalanceando, temas cercados de suavidade e sensibilidade. Definitivamente essa série é uma das minhas favoritas e esse livro, com toda certeza é um dos que mais me marcou nos últimos tempos, me fez ver como somos frágeis, mas como somos belos exatamente por nossas fragilidades, por nossa capacidade de sobrepô-las, por nossa capacidade de resiliência. Simplesmente incrível! Recomendo muito essa leitura.

“Encontre a sua inspiração e a qualquer impulso do destino se entregue ao ímpeto de se apaixonar perdidamente por alguém ou alguma coisa, submeta-se completamente às boas insinuações da vida” (Layla).


“Carpe diem, quam minimum crédula póstero, que significa: ‘Aproveite o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã’” (Heitor).

domingo, 27 de março de 2016

Inspiração - Gisele Souza - Editora Charme

Livro: Inspiração
Autora: Gisele Souza
Editora: Charme
Casal: Layla e Bruno
Palavras que resumem: intensidade, força, amor, redenção, entrega, perdas, música, cumplicidade, proteção

Sinopse: “A música nos envolvia numa sensualidade alucinante.”
Para Layla Bonatti, não havia pessoa mais importante do que o seu irmão, Lucas. Criá-lo desde pequeno cobrou seu preço e seus próprios sonhos foram anulados, exceto um: a música, paixão que cultivava desde que era uma menina. 
Cantar no bar era o seu único prazer, em suas apresentações deixava transparecer todos os seus sentimentos. Desta forma, encontrou a recompensa tão sonhada: ser amada e valorizada, seus anseios mais secretos. 
Porém, o fantasma da perda ainda rondava o seu coração. 
Layla será capaz de esquecer toda a dor e finalmente abrir o seu coração para um intenso romance?

Impressão do Leitor

A primeira vez que li esse livro ainda nem pensava em escrever minhas impressões literárias, que por sinal ainda é bem recente. Li Inspiração pela primeira vez ainda em formato digital, assim como todos os livros da série. Foi com esse livro que conheci a escrita da Gisele e me encantei, foi amor a primeira leitura. O bom de reler um livro é que você percebe nuances que não havia atentado anteriormente, considerando que os momentos em que as leituras se encerraram são bem distintos; você já tem outras influências, vive outras contingências, experencia outros momentos emocionais em sua vida.
Mas vamos falar de amor... O amor desse casal é Inspirador...
A Layla é uma mulher muito forte. Apesar de jovem em idade, é uma mulher muito experiente em função das contingências as quais foi exposta. Um passado de grandes perdas a forçou um amadurecimento precoce e a dotou de grande responsabilidade, onde, em muitos momentos, abdicou de sonhos e acabou anulando-se como mulher. Com isso, construiu uma barreira quase instransponível para o amor. Parte disso foi para dedicar-se ao seu grande amor, seu irmão Lucas. Essa relação entre os dois, é um capítulo a parte no livro, mesmo com tanta dificuldade, tanto sofrimento, os dois construíram um amor fraterno tão lindo, tão intenso e tão forte, que todos sentimos vontade de ter um pouco disso em nossas vidas.
Muito dessa necessidade de se esconder do amor, dá-se, na minha opinião pelo grande histórico de perdas e de não ter se permitido sentir essas perdas, guardando-as no mais profundo espaço de seu coração devido a toda responsabilidade que caiu em seu colo; na verdade, era mais um comportamento de fuga/esquiva e com isso, ela vivia pela metade. Contudo, em nenhum momento transformou-se em uma pessoa poliqueixosa, pelo contrário, usou desse sofrimento para tirar forças para sobreviver. E usou outra grande paixão para lidar com seus sentimentos, aprendeu a manifesta-los através das músicas que cantava.... Todas tinham significado importante em sua vida, condizente aos momentos que vivia. Sublimava esse sentimento através dessa grande paixão.

“Sempre me mantive forte e na linha. Não gostava de sentir demais...” (Layla)
“Nunca dei margem para ninguém mais se aproximar, sempre fomos só nós dois. Às vezes era um pouco solitário, contudo, mais seguro”. (Layla)

Já Bruno é um grande médico e apesar de muito jovem, já alcançou um grande espaço na medicina, e com isso muito respeito dos seus colegas. Assume o juramento médico como direcionador de sua carreira, o que traduz todo seu sentimento e dedicação na sua escolha profissional; exercia a medicina por amor.

“Minha retribuição consistia em salva uma vida e fazer o bem” (Bruno).

Muito bem-sucedido na sua profissão, não se pode dizer o mesmo em seus relacionamentos.... É o verdadeiro exemplar de um garanhão, que não quer se prender a ninguém, muito em função do medo de perder sua liberdade.

“Para isso acontecer, meu amigo, só se for um anjo enviado por Deus...” (Bruno)

E os anjos disseram amém... O destino não se conformava com essas barreiras que ambos construíram e logo deu um jeito de juntar essas almas predestinadas. Um encontro que gerou um encantamento mútuo, mas, junto com esse sentimento, veio a necessidade de proteger-se, especialmente em Layla. E surgiram faíscas... Layla, mesmo tendo o desejo desperto, não se entregou a Bruno, gerando nele uma curiosidade ainda maior, tornando-se determinado em conquista-la, confundindo essa determinação com uma pretensão exagerada e excesso de autoconfiança.

“Eu tenho um pequeno problema. Quando eu quero uma mulher, eu a tenho. Não importa quanto tempo demore, e, enquanto você estava naquele palco, tão linda, decidi que você vai ser minha” (Bruno).

Contudo, para Layla, isso não era determinante, ao mesmo tempo que o desejo e o encantamento que sentiu por Bruno fosse avassalador e alarmante pela intensidade, o comportamento dele disparou um alerta de autoproteção, fazendo demonstrar uma falsa repulsa que instigou o instinto de caçador de Bruno. Esse primeiro encontro deixa uma promessa tácita de muita intensidade, desejo carnal, e, quem sabe, um tórrido e irresistível caso de amor!
Layla despertou em Bruno um lado que estava latente, que ele lutava ardorosamente para manter adormecido; uma relação que começou por causa de um desejo intenso, foi derrubando cada barreira erguida em seu coração. Com Layla não foi diferente, a intensidade do que viviam, foi derrubando, tijolo por tijolo desse muro supostamente instransponível. Juntos podiam ser eles mesmos, se explorar sem amarras, com uma atitude de entrega consciente, natural, um poder tão incrível... O poder do amor.... Foi tão arrebatador, que, mesmo em tão pouco tempo, parecia que se conheciam há uma eternidade tamanha a conexão estabelecida.

“Ela era diferente. Apesar de ser quase uma completa estranha, sentia uma energia que nos ligava, era como se a conhecesse há anos” (Bruno).

            Muitos sentimentos contraditórios surgiram, diante da intensidade e velocidade dos acontecimentos, medo e desejo duelavam... Medo de entregar-se a algo mais profundo. Só que o relacionamento para ambos foi libertador... Layla permitiu-se mostrar-se multifacetada, características antes incipientes ou até mesmo desconhecidas se manifestaram naturalmente; permitiu-se ser mulher, percebeu-se ousada, doce, descobriu os prazeres de ser cuidada. Ao longo do livro, vemos um amor avassalador ser construído de maneira quase instantânea, sem ser piegas. Vemos na verdade, mesmo com tantos jogos de sedução, resistência e provocações, o encontro de almas predestinadas. Eles são tão intensos, lindos e apaixonados, que nos envolvem nesse romance tórrido e ao mesmo tempo, tenro.

Posso dizer que esse livro me Inspirou e motivou de duas maneiras diferentes nos dois momentos da leitura, mas igualmente intensas. Em cada momento, coisas diversas me marcaram. Na primeira vez, a história de amor do casal ficou em primeiro plano, o amor de entrega, o amor carnal, o amor fraterno, o amor amigo.... Enfim, o amor. No segundo momento, fiquei muito sob controle do enfretamento de medos, de escolhas necessárias. Escolher significa abdicar de algo, que pode trazer muito sofrimento, mas que pode ser muito natural e reforçador. Escolher pode significar perdas, mas pode significar começos ou recomeços. Depende de como lidamos e enfrentamos essas situações. Gisele foi capaz de me fazer refletir sobre o quanto nossos medos podem ser irracionais, que precisamos enfrenta-los de qualquer jeito; me fez entender que vivemos pela metade se nos prendemos em analisar demais as situações e temer demais nossas escolhas; me fez compreender que devemos sim, viver intensamente e sem medos que nos paralisem.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Parceira de Sucesso!

Gisele e Editora Charme, parceria que deu certo!! Mais um contrato firmado! Com certeza muita coisa boa vem por aí!

Livro Pecaminoso!

Amo esse livro!! Quem não leu, não perde tempo e corre para conhecer esses personagens incríveis da Gisele Souza! Publicado pela Editora Charme!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Blake!!!

Quem ainda não conhece o Blake, está perdendo tempo!! Corre e adquire o livro Pecaminoso, da Gisele Souza!! Intenso é pouco para descrever esse livro!! Tem resenha dele aqui no blog!!


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Deus do Rock - Gisele Souza

Livro: Deus do Rock
Autora: Gisele Souza
Editora: Independente
Casal: Apolo e Angela
Palavras que resumem: romance, mitologia, transcendental, incondicional
Sinopse: Para viver um grande amor, você se condenaria ao inferno? 
Com uma vida cercada de privilégios, riqueza e poder, Apolo, o filho prodígio de Zeus, é um homem determinado e acostumado a ter tudo que deseja. O poderoso deus do sol tornou-se também o deus do rock. Sua herança seria o trono do Olimpo e foi nisso que regeu sua vida, sempre à disposição, esperando, aprendendo, obedecendo. 
Contudo, o destino ainda o colocaria à prova, talvez a doce Angélica fosse apenas um teste de força, uma tentação que ele precisava resistir. Só que, ao ver os olhos daquela menina tímida, perdida nos bastidores do show business, ele já havia perdido a batalha.
Agora restava apenas vencer a guerra para viver seu grande amor. As garras afiadas das Moiras não lhe dariam trégua, um mal precisava ser feito para o bem vencer. Alianças serão travadas, amizades destruídas, a confiança será quebrada... Uma união de corpo e alma que acarretará num conflito entre deuses e mortais, um jogo de poder que poderá custar muito mais que a imortalidade. 

Impressão do Leitor

“Ela era minha luz perfeita, a luz que iluminou a escuridão que tinha em minha alma. Minha alma gêmea...” (Apolo)

Para amenizar e diminuir o nó na garganta após terminar esse livro, resolvi começar a falar sobre a linda e impactante capa. Chamou minha atenção e despertou meu interesse logo de cara, pois parece emanar uma energia magnética, que acende o desejo de ler esse título vorazmente.
Ao iniciar a leitura já fui impactada por um prólogo tão instigante e cheio de mistério que exalava uma aura de altruísmo, abnegação e sacrifício; um amor maternal em sua essência, tudo pela felicidade do ser amado. Na minha opinião é um trecho essencial ao desfecho do livro. Confesso que este prólogo revolvia em vários momentos em meu pensamento, aguardando ansiosamente o momento que tudo seria esclarecido.
A Gisele me conquistou com esse livro, logo quando percebi que envolvia o mundo da mitologia grega (usando de uma licença poética), associado a um lindo e distinto romance.
Esse livro nos traz o amor em várias nuances, o amor maternal, o amor fraterno, o amor transcendental, amor incondicional, amor benevolente, amor redentor, amor libertador.... Esse sentimento aparece tão bem descrito que nos absorve de um jeito tão único e intenso, que nos faz exalar uma felicidade intensa ao conhecer uma história regada pelo maior e melhor sentimento humano.
Apolo é um deus grego, que sofre de uma “depressão divina”, perdendo a vontade de lutar pelas coisas, muito em função da facilidade que tinha o que desejava e também a falta de perspectiva em função de sua vida inteira controlada pelos outros. Uma personagem intensa, cheia de marcas e sofrimentos causados especialmente pelo seu pai, o todo poderoso Zeus, deus de todos os deuses. Apolo não aceita sua condição de deus, sente-se profundamente incomodado com a atmosfera de veneração em torno dele e de outros deuses, embora nos tempos atuais, a descrença dos mortais diminui sua força transformando-os em seres mitológicos. Ele é conhecido na mitologia como o deus do Sol e das artes, mas nesse livro, passou a ser o deus do rock. Ele é um ser mais endurecido por tanto sofrimento psicológico ao qual foi submetido. Mesmo envolto a essa aura de onipotência e arrogância, ele é intenso no amor e na justiça. Renega o poder por querer experimentar a intensidade e profundidade dos sentimentos e emoções humanas, sem amarras.
Angélica é, assim como Apolo, uma pessoa que cresceu em um ambiente aversivo, com muitos traumas psicológicos. Mas ao contrário do que possamos imaginar, ela não se fragilizou pelo sofrimento, fortaleceu-se, obrigando-se a um amadurecimento precoce. É fiel e leal a aqueles que ama, outra característica que a define e a torna uma mulher encantadora, contudo sem denotar uma fragilidade. Uma mocinha espirituosa, protetora e desenvolveu um lado um tanto quanto possessivo em relação ao Apolo, devido ter sido arrebatada por profundos e intensos sentimentos (na medida certa). Dotada de muita garra e vontade de viver, condição muito admirada por Apolo:

“O que eu sempre admirei naquela mulher era a sua garra e vontade de viver a cada segundo de sua vida, em comparação com a dos deuses”.

Outra passagem do Apolo, resume tão bem vários aspectos da personalidade da Angélica:

“personalidade fácil e sincera, cativava qualquer um que a conhecesse, não se pode fugir. E a fidelidade com a sua família era simplesmente encantadora”.

O casal é, sem dúvida, um dos meus favoritos de todos os títulos que já li. São de uma cumplicidade tamanha, que me levou as lágrimas em tantos momentos. Eles se veneram, se amam, se idolatram, se protegem, se rendem, se libertam, pura e exclusivamente pela entrega através do amor. É um amor confiante e destemido, é um amor de conjunção de almas, que vai além do amor carnal. É um amor destinado:

“De alguma forma eu sabia que isso era para acontecer. Como uma profecia, não se pode fugir dela” (Apolo).
“Acho que eu fui criada especialmente para você. Vivi minha vida para estar aqui. Sou sua, pode me levar” (Angélica).

Essas duas passagens resumem a confiança, a entrega, o amor incondicional que um tem pelo outro.
A veneração que um tem pelo outro é incrível, ele a amava e venerava a distância e em silêncio, por tanto tempo, o que só aumentava sua ansiedade (e a minha”) para o momento do encontro de almas. Ela foi fisgada por ele assim que o viu pela primeira vez, passando também a venerá-lo, embora a assustasse por fazer ressurgir fantasmas do passado. O amor os resgatou. O amor despertou a esperança; esperança de um futuro que permitisse viver um amor arrebatador, altruísta e abnegado, trazendo a luz para suas vidas. A veneração descrita pela Gisele, embora com uma magnitude intensa, não tornou-se algo piegas e possessivo, mas sim libertador.
Contudo esse amor enfrentou dificuldade e grandes obstáculos que só serviu para fortalece-los. Com todo o impedimento e proibição que a relação enfrentou, o amor cresceu como um sentimento “sublime e inexplicável”.

“Eu não sei a quem eu agradeço por você existir” (Apolo)

Outra relação que me comoveu foi o amor fraterno entre Apolo e Hércules, mesmo que evidenciado de uma maneira peculiar, dotado de humor sarcástico, mas demonstrando um laço fraterno indestrutível pelas agruras sofridas e pelo tempo, que só os fortaleceu. Este último é um capítulo à parte nesta história. Assim como as outras personagens, tem uma história de sofrimento intensa, capaz de destruir um indivíduo, mas ele foi capaz de superar, embora tenha resquícios desse sofrimento em suas atitudes e emoções. Sua marca é o humor ácido. É dono de uma aura essencialmente protetora e forte, desdenhoso e destemido. Apesar de ter um lado intimidador para aqueles que não o conhecem, é na verdade um homem com ar de menino travesso nas relações com aqueles que ama.
A relação entre os irmãos também envolvia uma abnegação, um protecionismo lindo de ver. Eles se entendiam sem necessidade de palavras, com uma conexão construída através do sofrimento, do desejo de liberdade, sobretudo pelo amor. Amor este tão comovente, regado a gratidão, respeito, admiração, proteção. O amor de Hércules por Apolo estendeu-se a Angie, por perceber o amor e a entrega que ela tinha por seu irmão. Mas devo destacar o humor, sempre presente nessa relação.

“Ele colocou a mãe em meu ombro transmitindo o conforto e o entendimento que ele precisava (Apolo sobre Hércules).

            Sei que esse texto está longo, mas não posso deixar de mencionar a playlist do livro. Sensacional. Quero dar destaque para a composição da autora, a música Underwold (Submundo) que dá nome a banda do deus do Rock, linda!!
Este livro trouxe uma miríade de emoções que transbordavam, muitas vezes em lágrimas selando a angústia e a raiva sempre que os obstáculos surgiam para o amor desse casal; sentimentos tão incapacitantes acompanhados de uma sensação de impotência tão grande que não sabia como lidar e absorver. Sintomas de ansiedade despertados, especialmente com coração acelerado com a possibilidade iminente e precoce da finitude desse amor transcendental. Em outros momentos um nó na garganta se formava ao ver tamanha cumplicidade e entrega de Apolo e Angélica, através de um lindo amor construído através do tempo. Confesso que derramei lágrimas e mais lágrimas ao sentir o amor que eles construíram um pelo outro.
            Este livro nos ensina que o amor prospera, o amor salva, o amor é benevolente. É uma história que demonstra a plenitude do amor. Deixa uma mensagem linda sobre sentimentos, em especial o amor e a esperança.


“Há um sentimento que nasce em cada um de nós na primeira respiração ao entrar para esse mundo: a esperança. Temos que cultivar esse sentimento, pois sem ele não somos nada mais que seres vazios sem expectativa para o futuro” (Apolo).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Pecaminoso

Livro: Pecaminoso
Autora: Gisele Souza
Editora: Charme
Casal: Isabella e Blake
Palavras que resumem: intensidade, insegurança, amor, redenção, entrega, pecaminoso, negação...

Sinopse: Quando Isabella Leal foi trabalhar em uma empresa de processamento de dados como estagiária, não imaginou que, ao ser efetivada, passaria por uma situação tão inusitada... E deliciosa!
Ela se deparou com um vício: Blake Miller. Além de ser lindo e ardente, o jovem CEO da empresa era irritantemente arrogante.
Após um encontro arrebatador, Isabella percebe que se tornou um erro.
Mas ela não vai deixar isso barato! Blake vai descobrir o que uma mulher determinada e com o sabor do pecado é capaz de fazer.

Impressão do Leitor

"Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure" (Vinícius de Moraes)
“Um amor pecaminoso”...

Só posso começar a escrever daqui a pouco.... Estou recuperando fôlego depois de tanta intensidade, adrenalina, mistério e de um amor pecaminoso e arrebatador.
Passei esse livro na frente de outros na minha lista de leitura (isso, tenho uma lista organizada e meticulosamente digitada como meta para esse ano); enfim, meio que por instinto decidi iniciar meu mês de fevereiro com esse título, curiosidade me resumia neste momento, até por já ter lido outros livros da Gisele, como a série Inspiração (minha paixão).
Deparei-me logo de cara com duas personagens bem complexas e intensas (do jeito que eu gosto). Personagens com tanta bagagem, que foi me consumindo ao longo do livro, que quando me dei conta, eu era o Blake, era a Isabella, era o Alan, era Ariana, até o lindo Miguel. Transformei-me até nas coisas inanimadas do romance, como um simples estacionamento, de tanto que me envolvi na leitura.
Blake é, a um primeiro olhar, um homem com uma arrogância construída a partir de contingências tão aversivas ao longo da vida, seja no âmbito familiar, seja no relacionamento amoroso. Teve que lidar com perdas muito dolorosas, mas nada comparado com o que vamos descobrindo durante o desenrolar do livro, de forma tão surpreendentemente construída. Ele é arrebatador, dono de uma personalidade forte, de um jeito imponente, até mesmo ameaçador. Na minha opinião, foi uma personalidade forte, de um jeito imponente, atdolorosas ao longo de sua vida, mas nada comparado com uma forma encontrada para proteger-se de novos sofrimentos. Ele negava a possibilidade de viver sentimentos de amor, cumplicidade e entrega, como um mecanismo de defesa, de forma a blindar a possibilidade de novas decepções. Mas ele não contava encontrar uma adversária e uma personalidade tão semelhante a sua, como sua Provocadora, Isabella.
Isabella, dona de uma personalidade tão parecida com seu “Carrasco”, tanto na arrogância, como na forma sarcástica de lidar com situações na sua vida. Impõe-se uma liberdade nas suas relações, que, de forma semelhante ao Blake, era uma forma velada de esconder um sofrimento do seu passado, que construiu parte do que ela mostrava ser. Uma mulher aparentemente bem resolvida com suas escolhas, especialmente nos relacionamentos superficiais e puramente carnais com o sexo oposto, até encontrar Blake.
Ao longo do livro percebemos a luta interna das personagens, que provocava grandes embates entre eles, o que apimentava ainda mais essa relação, abrindo espaço para um sentimento silencioso os arrebatar, rompendo as barreiras mais profundas dos seus corações, trazendo consequências marcantes para cada um.
Vemos claramente que uma atração explosiva pode transformar-se em um sentimento tão arrebatador, que nos tira o fôlego e nos faz desejar uma história semelhante. Percebemos claramente como as personagens vão removendo as amarras de seus corações (mesmo que elas não se dêem conta, ou simplesmente neguem), permitindo que as mágoas do passado se dissolvam e se permitam viver intensamente um sentimento tão bonito.
Além desse casal que tira nosso fôlego, ainda conhecemos uma espécie de conto dentro da história, que é narrado paralelamente e nos encanta de forma arrebatadora. O que é a história do Alan e Ariana, que me deixou com lágrimas nos olhos? Simplesmente perfeita.
A narrativa da Gisele para este livro é cheia de nuances, é tão bem demarcada cada fase das personagens que não tem como não nos encantarmos. Ela mistura o amor carnal (tão intensamente descrito), o amor romântico, o amor inocente, simplesmente o amor; um amor construído em um universo de negação até a mais pura aceitação e deleite. Tudo envolto em uma atmosfera de humor, romance e mistério, cada ingrediente usado na medida certa.

“Você é um presente que devo abri aos poucos e me deliciar a cada nova descoberta” – Blake


“Estou preso a você mesmo, provocadora. Mostre-me o quanto gostou de ter a chave da minha prisão” - Blake